Em 2026, Donald Trump acusou o Japão de não ter participado da guerra contra o Irã — e na mesma cúpula bilateral evocou Pearl Harbor para responder a uma pergunta da primeira-ministra Sanae Takaichi. O Japão, que havia concordado em investir 550 bilhões de dólares nos Estados Unidos para evitar tarifas ainda mais severas, ouvia em silêncio. A quarta maior economia do mundo, cercada pela China, pela Rússia e pela Coreia do Norte, encontra-se estruturalmente incapaz de contrariar Washington. A pergunta que este episódio tenta responder é: como um país chega a esse ponto?

Para entender o Japão de hoje, é preciso recuar até 1945. Com Jojô Neto (PUC-MG), percorremos o arco que vai da ocupação americana e da constituição pacifista redigida pelas forças de MacArthur, passando pela ascensão econômica japonesa e o pânico que ela gerou em Washington nos anos 1980 e 1990, até a guinada nacionalista deflagrada pelas declarações Kono e Murayama sobre as chamadas “mulheres de conforto”, o surgimento de grupos como o Nippon Kaigi, e a consolidação do revisionismo histórico como ferramenta política sob Shinzo Abe, cujo legado ambíguo ainda define os termos do debate político japonês.

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Participaram deste episódio: Filipe Mendonça (UFU/AIA-NRW) e Jojô Neto (PUC Minas)
Inserções de áudio: Guardian Australia  | Bloomberg
Capa do episódio: Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), outubro de 2025
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Capítulos:

00:00 — O Japão que não pode dizer não: conjuntura e abertura
00:07 — O Japão do pós-guerra: ocupação americana e nova constituição
00:17 — O pacifismo como projeto de poder
00:24 — O Japão Imperial: anticolonial mas não decolonial
00:30 — Ascensão econômica e o “perigo amarelo”
00:42 — Os anos 1990: fim da Guerra Fria e guinada nacionalista
00:45 — As declarações Kono e Murayama e as “mulheres de conforto”
00:53 — Koizumi, Yasukuni e a extrema direita japonesa
00:57 — Shinzo Abe: dos dois mandatos ao legado ambíguo
01:15 — Abenomics, Cool Japan e o fim do governo Abe

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