A seis dias do segundo turno, o Chutando a Escada volta a fazer algo que não fazia desde 2018: um editorial. Em 2018, pedimos voto em Fernando Haddad e, depois da derrota, prometemos seguir juntos e juntas. Em 2026, com Flávio Bolsonaro à frente depois do primeiro turno, Filipe Mendonça explica por que o podcast pede abertamente o seu voto em Lula: em defesa da ciência e da universidade pública, do SUS e da vacina, da democracia e da soberania nacional.

O editorial passa pela memória da pandemia, com um estudo publicado no American Economic Journal que mostra como o discurso de Bolsonaro reduziu o isolamento social; pelas dez perguntas da comunidade científica que só Lula respondeu; pelo “modelo El Salvador” que Flávio diz ser “pouco”; pela adesão ao Escudo das Américas de Trump e pela ameaça de “faxina” no Itamaraty; pelas propostas para energia e terras raras; e pela promessa de “mudar a Constituição para redemocratizar o país”. Porque o Brasil não cabe no quintal de ninguém.

Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio
Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br
Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br
Participou deste episódio: Filipe Mendonça
Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts.

Citados no episódio

Capítulos:
00:00 — Abertura: por que um editorial
03:00 — O que o primeiro turno mostrou
05:00 — Por que não podemos apoiar essa candidatura
09:00 — Quem você quer na presidência na próxima pandemia?
16:00 — A ciência perguntou. Só um respondeu.
21:00 — “El Salvador é pouco”
30:00 — Política externa: o Brasil não cabe no quintal de ninguém
32:00 — O Escudo das Américas
38:00 — A “faxina” no Itamaraty
43:00 — O projeto de Lula para a política externa
46:00 — Energia: a escada também é feita de petróleo, sol e terras raras
49:00 — “Redemocratizar” o quê? A Constituição de 1988 na mira
53:00 — O que está em jogo
55:00 — E agora, o que a gente faz?


Leia o editorial na íntegra

Seja bem-vindo e seja bem-vinda a mais uma edição do Chutando a Escada. Aqui quem fala é Filipe Mendonça, nesta segunda-feira, 19 de outubro de 2026. O episódio de hoje é diferente. Não tem convidado nem entrevista: é um editorial.

Quem acompanha o Chutando a Escada há mais tempo sabe que a gente já fez isso antes. Em outubro de 2018, depois do primeiro turno, a gente gravou um editorial pedindo voto em Fernando Haddad. Em novembro daquele ano, com Jair Bolsonaro eleito, a gente gravou outro, dizendo que os anos seguintes iam exigir luta, resiliência e solidariedade.

Oito anos depois, cá estamos de novo, numa situação parecida e diferente ao mesmo tempo.

Não existe neutralidade

O Chutando a Escada é um podcast de política internacional e de divulgação científica. A gente fala de Estados Unidos e China, de Rússia e América Latina, de clima, de extrema-direita, de comércio, de soberania. Mas nossos ouvintes sabem que a gente nunca deixou de falar do Brasil e que nunca deixou de ter lado.

Em 2018 a gente disse uma coisa que continua valendo: não existe neutralidade num processo eleitoral. Toda posição é política, inclusive a abstenção. Não escolher também é escolher, e quem não escolhe aceita o que está aí. Nesse segundo turno, não votar em Lula é, na prática, ajudar Flávio Bolsonaro.

Por isso a gente não vai fingir equidistância. O Chutando a Escada pede o seu voto em Luiz Inácio Lula da Silva no dia 25 de outubro.

O que o primeiro turno mostrou

Vamos ser honestos com vocês, porque honestidade é o mínimo que a gente deve a quem nos escuta. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na frente, com cerca de dois milhões de votos a mais que Lula. Na história da Nova República, nenhum candidato que chegou em primeiro no primeiro turno perdeu o segundo. Se Lula vencer, vai ser a primeira vez.

É difícil, mas não é impossível. E precisamos mais agora do otimismo da ação do que do pessimismo dos acadêmicos. A diferença é pequena num país de mais de 150 milhões de eleitores. Mais de um em cada cinco eleitores não foi votar no dia 4. Tem muita gente que votou em outros candidatos, muita gente que ainda está em dúvida, muita gente que ainda não ouviu a conversa certa. Em 2018 a gente escreveu que não aceitava a ideia de que o jogo estava perdido. Repetimos isso agora: o placar foi zerado e começou outra partida.

O primeiro turno também confirmou uma coisa que a gente vem discutindo aqui no podcast há anos, sobretudo nos episódios com o Observatório da Extrema-Direita: o bolsonarismo não foi um acidente de 2018. Ele se organizou, criou raízes, montou redes dentro e fora do país e hoje volta à disputa com outro sobrenome no topo da chapa. Ou melhor, com o mesmo sobrenome.

Por que a gente não pode apoiar essa candidatura

Já teríamos motivos objetivos de sobra. Mas aqui eu quero falar do lugar de onde eu falo: sou professor de universidade pública, pesquisador e divulgador científico. E nessa eleição eu faço parte de um grupo amplo de cientistas, professores, estudantes e técnicos que decidiu se posicionar, em defesa da ciência, da universidade pública e da soberania nacional.

Nesta eleição, a SBPC, a Academia Brasileira de Ciências, a Andifes, a ANPG, a UNE, o Andes e outras entidades da ciência e da educação lançaram uma carta chamada “Em defesa da democracia e do futuro do Brasil”. Eu assino embaixo de cada palavra, e vou pegar emprestadas algumas delas. A carta diz: não falamos de cima, falamos de dentro. Muitos de nós somos a primeira geração da família a entrar numa universidade. A gente aprendeu a ler na escola pública, estudou com bolsa e pesquisa em laboratórios pagos pelo povo brasileiro. E a gente sabe o que foram os anos de 2019 a 2022, porque viveu esses anos.

Foram anos em que se atacou a ciência. Em 2019, o diretor do INPE foi exonerado depois que o instituto divulgou dados de desmatamento na Amazônia que contrariavam o governo. Eram imagens de satélite, não opinião. Como diz a carta das entidades, quem quebra o termômetro não cura a febre, só impede que ela seja vista.

Foram anos em que se desqualificaram cientistas. Volto a isso daqui a pouco, porque merece um capítulo à parte.

Foram anos em que se tentou sufocar quem forma. As universidades públicas foram chamadas de lugares de “balbúrdia”. As bolsas de mestrado e doutorado ficaram uma década sem reajuste, até 2023. E, em 2022, foram 2,9 bilhões de reais bloqueados no orçamento da ciência.

E foram anos em que se fabricou a desconfiança nas urnas, sem nenhuma prova, até o 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas.

A candidatura de Flávio Bolsonaro reivindica esse governo, não esconde isso. Então é legítimo perguntar se ela mudou alguma coisa.

Quem você quer na presidência na próxima pandemia?

Eu quero fazer uma pergunta simples a você que está ouvindo, e quero que você pense nela até domingo: quem você quer na presidência quando vier a próxima pandemia?

Não é uma pergunta retórica. Gripe aviária, novos coronavírus, doenças que saem da floresta desmatada e chegam às cidades: quem estuda o assunto sabe que é questão de tempo. E nós já sabemos como cada um desses projetos se comporta numa emergência sanitária, porque já vimos.

Mais de 700 mil brasileiros morreram de covid. Durante a pandemia, o presidente da República chamou a doença de “gripezinha”, disse que não era coveiro, imitou gente com falta de ar, fez propaganda de cloroquina e de ivermectina, fez campanha contra a máscara e contra o isolamento e colocou em dúvida a vacina. Enquanto isso, o governo deixou sem resposta ofertas de vacina, inclusive do Instituto Butantan. Em janeiro de 2021, em Manaus, faltou oxigênio e gente morreu asfixiada em hospital. A CPI da Covid concluiu que muitas dessas mortes eram evitáveis e pediu o indiciamento do presidente.

E tem gente que ainda diz que “foi só discurso”, que palavra não mata ninguém. A ciência estudou isso. Três economistas, Nicolás Ajzenman, Tiago Cavalcanti e Daniel Da Mata, publicaram em 2023 no American Economic Journal: Economic Policy, uma das revistas mais respeitadas da economia no mundo, um artigo com um título que diz tudo: “Mais do que palavras”. Eles usaram dados de localização de cerca de 60 milhões de celulares em quase quatro mil municípios brasileiros e cruzaram com o voto de 2018 e com gastos de cartão de crédito.

Olharam para dois momentos do começo da pandemia: 15 de março de 2020, quando o presidente foi para a rua cumprimentar apoiadores numa manifestação contra o Congresso e o Supremo, e 24 de março, quando ele foi à rede nacional de rádio e TV dizer que a covid seria uma “gripezinha” e que o país tinha que voltar à normalidade.

Me lembro como se fosse ontem aquele dia. 24 de março foi meu aniversário. Foi o primeiro dia que eu chorei na pandemia.

Logo depois desses dois episódios, o isolamento social caiu nos municípios bolsonaristas em relação aos outros, e as compras presenciais subiram, mesmo tirando as farmácias. Não havia nenhuma diferença antes. Comparando uma cidade mais bolsonarista com uma menos bolsonarista, a queda no isolamento chega a cerca de 16% do nível que existia antes das medidas de distanciamento. E o efeito foi mais forte onde havia mais televisão local, mais gente no Twitter e mais evangélicos, ou seja, onde a mensagem do presidente chegava mais e era mais ouvida.

O título do artigo é exato: foi mais do que palavras. Quando o presidente da República diz para o povo sair de casa no meio de uma pandemia, uma parte do povo sai. E num vírus que se espalha pelo contato, gente na rua significa mais contágio, mais internação e mais morte.

O bolsonarismo nunca fez autocrítica disso. Pelo contrário: o movimento antivacina que cresceu naqueles anos continua vivo, as coberturas vacinais de crianças despencaram e o Brasil viu doenças que estavam controladas voltarem a ameaçar. A candidatura de Flávio Bolsonaro reivindica aquele governo inteiro, inclusive o que ele fez na pandemia.

Do outro lado, a proposta é concreta. A candidatura de Lula se comprometeu a produzir no Brasil, até 2033, 70% do que o SUS precisa, com o Complexo Econômico-Industrial da Saúde, e a retomar a fabricação nacional de insulina. Pode parecer detalhe técnico, mas não é. Na pandemia, o mundo inteiro disputou vacina, respirador e insumo, e quem não produzia ficou no fim da fila. Em novembro de 2024 faltou insulina na Farmácia Popular porque fabricantes estrangeiros decidiram, lá fora, mandar sua produção para outro lugar. Produzir aqui também é soberania.

Então eu repito a pergunta: quando o próximo vírus chegar, você quer na presidência alguém que confia no SUS, no Butantan e na Fiocruz, ou alguém do grupo que receitou cloroquina e brincou de imitar gente sem ar?

A ciência perguntou. Só um respondeu.

No dia 9 de outubro, a SBPC e a Academia Brasileira de Ciências mandaram as mesmas dez perguntas para as duas candidaturas, com as mesmas regras e o mesmo prazo. As perguntas tratavam de soberania, democracia, desigualdade, ciência e educação, SUS, clima, inteligência artificial, indústria e trabalho. Cada uma pedia o que fazer, com que meta, com que instrumento, em que prazo e com que dinheiro. Nenhuma pedia que o candidato concordasse com a comunidade científica.

As duas campanhas confirmaram o recebimento. Só a de Lula respondeu.

A SBPC publicou um editorial sobre isso com o título “O silêncio também é uma resposta”. Quem não presta contas antes da eleição dificilmente vai prestar depois.

Como não houve resposta, a SBPC foi ler o plano de governo que Flávio Bolsonaro registrou no TSE. Vale contar a vocês o que tem lá, e o que não tem.

Nas 76 páginas do plano, as palavras “cotas” e “ação afirmativa” não aparecem nenhuma vez. O Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e a Finep também não. O plano propõe que Capes e CNPq passem a priorizar o “impacto produtivo”, que a pós-graduação se volte para cursos de especialização e que as ——— instituições sejam remuneradas por formar, aspas, “para o emprego que existe”. Pensem no que isso significa. A Embrapa e a agricultura tropical, o pré-sal, a Embraer, as vacinas públicas do Butantan e da Fiocruz: nenhuma dessas conquistas teria sobrevivido a uma avaliação anual por impacto produtivo. Todas levaram décadas e nenhuma tinha comprador no começo. Pesquisa básica, humanidades, educação, saúde pública e clima são justamente as áreas que perdem quando se pergunta só pelo emprego que já existe, e não pelo país que a gente quer construir.

No clima, num país que acabou de viver as enchentes do Rio Grande do Sul e as secas na Amazônia, a gente tem um candidato que, em agosto, no Jornal Nacional, se recusou a dizer que acredita no aquecimento global, chamou os eventos extremos de “efeitos cíclicos” e disse que eles não têm a ver só com a ação humana. Em 2019, ele já tinha escrito que não existia aquecimento global. Discutimos isso aqui no podcast poucas semanas atrás.

Do outro lado, a candidatura de Lula respondeu às dez perguntas com compromissos concretos: —–usar integralmente o FNDCT, sem contingenciamento; reajustar regularmente as bolsas de pós-graduação; manter a Lei de Cotas e criar um Pé-de-Meia universitário para estudantes cotistas de baixa renda, para que eles não larguem a graduação; ter infraestrutura pública de supercomputação e modelos de inteligência artificial em língua portuguesa; garantir o fim da escala 6 por 1.

Promessa de campanha a gente cobra depois, sempre. Mas para cobrar é preciso ter a promessa. De um lado tem compromisso, meta e prazo. Do outro, silêncio.

“El Salvador é pouco”

Na segurança, o plano propõe construir presídios no modelo de El Salvador. E aqui eu peço um pouco mais da sua atenção.

Na semana passada, num evento em São Paulo, Flávio Bolsonaro disse que, se eleito, vai implantar um sistema de segurança mais duro que o de El Salvador. Disse que já conversa sobre isso com Guilherme Derrite e que El Salvador, nas palavras dele, “é pouco”. Falou em criar mais de 500 mil vagas em presídios, sem dizer onde nem como. E avisou que quem o acha radical na segurança pública ainda não viu nada.

Então vale a pena olhar com calma para o que é o modelo El Salvador, porque ele é vendido como milagre, mas quase ninguém conta o que acontece por trás dele.

Desde março de 2022, El Salvador vive sob um regime de exceção. Um regime de exceção, por definição, deveria ser temporário. Lá ele é prorrogado todo mês há mais de quatro anos, foram 49 prorrogações seguidas só até março deste ano, e continua suspendendo garantias básicas, como o direito de defesa e o sigilo das comunicações. Mais de 91 mil pessoas foram presas, entre elas mais de 3 mil crianças e adolescentes. A população carcerária passou de—– 118 mil pessoas, mais que o dobro da capacidade das prisões. Cerca de 2% da população do país está atrás das grades, uma das maiores taxas de encarceramento do mundo.

Quem é preso nesse sistema? Segundo a Human Rights Watch, muitas prisões foram feitas por causa de aparência física, tatuagem, denúncia anônima sem prova e pressão para cumprir metas de prisão. Muita gente sem nenhuma ligação com gangues. O próprio Bukele, questionado sobre os inocentes presos, disse que as forças de segurança cometeram “poucos erros” e que já tinham soltado cerca de 7 mil pessoas. Os julgamentos passaram a ser coletivos: há processos com até 900 réus ao mesmo tempo, às vezes com juízes que nem se identificam. A prisão preventiva de quem é acusado de pertencer a gangue pode durar até cinco anos antes do julgamento.

E tem as mortes. Segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da OEA, pelo menos 500 pessoas morreram sob custódia do Estado desde o começo do regime. A Anistia Internacional documentou mortes por espancamento, tortura e falta de atendimento médico. Famílias recebem os corpos em caixões lacrados, com marcas de agressão e de desnutrição. —-A Comissão Interamericana registrou denúncias de que esses abusos podem configurar crimes contra a humanidade.

A BBC contou recentemente a história das mães que procuram os filhos dentro do sistema prisional salvadorenho. Uma delas não tem notícia do filho há quase cinco anos. Ele foi preso voltando do trabalho, como tratorista, e dois juízes já mandaram soltá-lo. Segundo as autoridades, ele continua preso no CECOT, a megaprisão do Bukele, mas a mãe nem sabe se é verdade. Outra mãe viu o filho de 19 anos, cortador de cana, ser levado três dias depois de o regime começar. Um mês depois levaram o marido dela. Elas formaram um coletivo, hoje com centenas de mulheres, que só pede o mínimo: saber se os seus estão vivos, poder visitá-los e ter um julgamento individual.

E o modelo não para na prisão. Para manter o regime de exceção, Bukele concentrou o poder. O partido dele afastou os juízes da Sala Constitucional e o procurador-geral. Bukele se reelegeu em 2024, apesar de a Constituição proibir a reeleição imediata, e no ano passado a Assembleia aprovou a reeleição indefinida. Veio uma lei de agentes estrangeiros que asfixia as ONGs. Jornalistas e defensores de direitos humanos fugiram do país, mais de 140 só entre maio e setembro do ano passado. A Cristosal, a principal organização de direitos humanos do país, fechou seus escritórios em El Salvador, e Ruth López, que chefiava a área anticorrupção da organização, está presa desde maio do ano passado, com o processo sob sigilo. É isso que o modelo significa: primeiro suspendem os direitos de quem é chamado de bandido, e depois os de quem critica.

Sim, os homicídios caíram muito em El Salvador, e a gente não vai negar isso. —–Mas a pergunta é a que a Anistia Internacional faz: segurança sem justiça e sem proteger os inocentes é mesmo segurança? E dá para importar isso para o Brasil?

Não dá, e por um motivo muito concreto. El Salvador tem pouco mais de 6 milhões de habitantes. O Brasil tem mais de 210 milhões e já tem uma das três maiores populações carcerárias do planeta. Se o Brasil prendesse na mesma proporção que El Salvador, seriam uns 4 milhões de presos. E o Brasil já conhece o resultado do encarceramento em massa, porque o PCC e o Comando Vermelho nasceram dentro de presídios brasileiros. Cadeia superlotada, sem controle do Estado, não é o fim do crime organizado: é onde ele recruta. Encher ainda mais as prisões, como Flávio promete, é entregar mão de obra para as facções.

E tem uma coisa que nunca entra na propaganda. Quando o Estado ganha o poder de prender sem prova, de julgar em massa e de suspender o direito de defesa, quem decide quem é bandido? Em El Salvador, quem está no CECOT são, em grande parte, jovens pobres da periferia e do campo. No Brasil, a gente sabe muito bem a cor e o endereço de quem seria preso.

Por isso o modelo El Salvador não é uma política de segurança. É um regime político, e quem diz que “El Salvador é pouco” está dizendo isso em voz alta.

Política externa: o Brasil não cabe no quintal de ninguém

Aqui entra o tema que mais ocupou o Chutando a Escada nos últimos dois anos: a soberania e o lugar do Brasil no mundo. Somos um podcast de política internacional, e não dá para falar desta eleição sem falar de política externa.

Desde julho do ano passado, o Brasil está sob ataque do governo Trump: tarifaço, investigações comerciais, sanções contra autoridades brasileiras, ameaças diplomáticas. E a gente discutiu aqui, em vários episódios, que esses ataques não caíram do céu. Foram articulados em diálogo próximo com o bolsonarismo. Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo foram aos Estados Unidos pedir punição contra o próprio país e comemoraram quando ela veio. Hoje tentam pôr a culpa em Lula e pedem a Washington que deixe o tarifaço para depois da eleição.

Pensem nisso por um instante. Um grupo político pediu a uma potência estrangeira que punisse a economia brasileira, os trabalhadores brasileiros e os exportadores brasileiros para pressionar as instituições do próprio país. E esse mesmo grupo agora pede o seu voto em nome da pátria.

Em agosto, a própria Abin produziu um relatório alertando para o risco de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. Em setembro, a ABC e a SBPC soltaram uma nota conjunta dizendo o óbvio, que infelizmente precisa ser dito: a escolha de quem governa o Brasil pertence exclusivamente ao povo brasileiro. E falaram em soberania política, em soberania digital e em soberania científica.

O Escudo das Américas

Agora eu quero chamar a atenção de vocês para uma proposta que passou quase despercebida na campanha, mas que talvez seja a mais grave de todas na política externa: a entrada do Brasil no chamado Escudo das Américas, o Shield of the Americas.

O Escudo é uma iniciativa de segurança liderada pelo governo Trump, com um braço militar, uma coalizão contra cartéis. Em setembro, catorze países da região assinaram com o Departamento de Estado uma declaração dizendo que estavam dispostos a classificar mais de vinte grupos criminosos como organizações terroristas. O Brasil não assinou. Flávio Bolsonaro já disse várias vezes, inclusive na última sexta-feira, que, se eleito, coloca o Brasil no Escudo e declara o PCC, o Comando Vermelho e as milícias organizações narcoterroristas.

Isso pode soar como firmeza contra o crime, mas vamos pensar como gente de Relações Internacionais. Os Estados Unidos já classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, em maio deste ano. Nos últimos meses, o mundo inteiro viu o que Washington faz na região em nome da guerra ao “narcoterrorismo”: barcos bombardeados no Caribe, ameaças e operações contra governos da região. Quando o Brasil adere a uma coalizão militar comandada por outra potência e aceita que o problema de segurança das suas periferias passe a ser tratado como guerra ao terror, ele abre a porta para que outro país decida quando, onde e como agir dentro do nosso território. Segurança pública vira assunto de política externa de outro país. A Amazônia, as fronteiras, as nossas favelas passam a fazer parte do mapa de operações de alguém que não responde ao eleitor brasileiro.

E nada disso torna o país mais seguro. O crime organizado brasileiro se combate seguindo o dinheiro, com inteligência, integração das polícias e controle das fronteiras, e com cooperação entre Estados soberanos. Lula disse isso na ONU: o Brasil precisa de cooperação contra o crime organizado, não de intervenção estrangeira.

O que mais está no plano de Flávio

O Observatório de Política Externa e da Inserção Internacional do Brasil, o OPEB, da UFABC, analisou os planos de governo dos dois candidatos, e a leitura é bem esclarecedora.

O plano de Flávio Bolsonaro promete uma diplomacia “pragmática”, sem ideologia, mas na prática escolhe um lado: diz que Estados Unidos, Israel e Argentina não serão tratados como adversários, e trata Venezuela e Irã como governos terroristas sem maiores justificativas, o que rompe com o universalismo que sempre orientou a diplomacia brasileira. O OPEB observa ainda que o plano amarra o direito de um país defender sua soberania à situação da segurança interna, criando uma espécie de hierarquia entre Estados. Isso é, na prática, abrir mão do princípio da não intervenção, que é uma das pedras fundamentais da nossa Constituição.

Some a isso as promessas feitas fora do papel: um acordo de livre comércio imediato com os Estados Unidos; a crítica à desdolarização; a proposta de impedir que o PIX se conecte a sistemas de pagamento que não sejam ocidentais; as idas de Flávio aos Estados Unidos, onde ele sugeriu oferecer as terras raras brasileiras para diminuir a dependência americana em relação à China; e o encontro dele com Trump na Casa Branca, em maio, em que pediu que o PCC e o Comando Vermelho fossem classificados como organizações terroristas “o quanto antes”. Dois dias depois, foram. A lógica é sempre a mesma: o Brasil como peça do tabuleiro de outro jogador, e não como jogador.

Lembrem-se: estamos falando do grupo político que foi a Washington pedir punição contra o próprio país. Quem pede sanção contra a própria economia não vai negociar de igual para igual com quem aplicou essa sanção.

A “faxina” no Itamaraty

E tem uma ameaça que diz respeito diretamente a quem estuda e trabalha com Relações Internacionais no Brasil: a perseguição ao Itamaraty.

No fim de setembro, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos e foi condenado pelo Supremo a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo do golpe, justamente por articular com o governo Trump medidas contra autoridades brasileiras, gravou um vídeo prometendo uma “faxina” no Itamaraty. A ideia é punir diplomatas que, segundo ele, teriam sabotado o governo do pai. Segundo a CNN, ele já está mapeando o corpo diplomático para saber “quem é quem” e “quem faz o que”. O entorno dele fala em tirar dos postos de comando os “diplomatas burocratas” e transformar o Ministério das Relações Exteriores numa “máquina de fazer negócios”.

Neste mês, Eduardo voltou ao ataque nas redes, agora contra a assessoria de participação social e diversidade e contra a assessoria de gênero do Itamaraty. “Isso não é diplomacia, é aparelhamento”, escreveu, e prometeu que, se Deus quiser, em 2027 isso acaba. O diplomata Marcelo Costa, secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, respondeu que os alvos são sempre os mesmos: os servidores públicos, a sociedade civil e, em particular, as mulheres.

Flávio diz que não vai nomear o irmão chanceler. Mas a CNN informou que ele gosta da ideia e que a resistência vem de parte da própria campanha. E os diplomatas ouvidos pela jornalista Letícia Casado, do UOL, continuam em alerta, porque a questão nunca foi o cargo. Flávio pode não nomear o Eduardo, mas nomear alguém muito alinhado a ele, que vai aplicar a política externa que o Eduardo tem na cabeça. Um deles resumiu assim: “a gente só vai sentir na pele quando o governo começar”.——–

E a gente já viu esse filme. Quem escolheu o chanceler da última vez foi o Eduardo. O resultado foi Ernesto Araújo, que nunca tinha chefiado uma embaixada e que transformou a diplomacia brasileira numa cruzada ideológica contra o “globalismo” e contra a China, justamente quando o Brasil dependia de insumos chineses para fabricar vacina no meio da pandemia. E, como se dizia em Brasília na época, nem era o chanceler quem mandava: Ernesto carimbava, e quem ditava a política externa era o assessor Filipe Martins, que depois foi condenado pelo Supremo a 21 anos de prisão na trama golpista—. Dar o Itamaraty a um aliado do Eduardo é dar o Itamaraty ao Eduardo.

O modelo dessa faxina não é segredo, e vem de Washington. No segundo mandato de Trump, o Departamento de Estado passou por uma limpeza: diplomatas de carreira afastados e embaixadas entregues a empresários, amigos e doadores de campanha. —Diplomacia trocada por negócio. É isso que o bolsonarismo promete importar.

Por que isso deveria preocupar você, que não é diplomata? Porque o Itamaraty é uma das instituições mais respeitadas do Estado brasileiro, e o é justamente por ser uma carreira profissional, que se ingressa por concurso, com memória institucional e com uma tradição que atravessa governos de direita e de esquerda: a defesa da soberania, da não intervenção, da solução pacífica dos conflitos e do multilateralismo. Foi essa tradição que segurou o Brasil de pé no tarifaço. Um Itamaraty expurgado, com diplomatas punidos por terem feito o seu trabalho e com a chefia escolhida pela lealdade a uma família e a um governo estrangeiro, deixa de defender o Brasil e passa a defender outra coisa.

Perseguir servidor público por opinião ou por ter servido a outro governo tem nome: é aparelhamento de verdade. E é o mesmo método de El Salvador e dos Estados Unidos de Trump: primeiro se pune quem está dentro do Estado, para que ninguém mais tenha coragem de dizer não.

E o projeto de Lula

O plano de Lula tem problemas, e a gente não vai esconder isso. O mesmo OPEB mostra que o plano é mais forte em princípios do que em mecanismos: diz aonde quer chegar, mas nem sempre como. Não explica bem como manter o não alinhamento com Estados Unidos e Europa enquanto aprofunda os BRICS. Defende a reforma do Conselho de Segurança e da OMC sem dizer como vencer a resistência de quem não quer reforma nenhuma. E tem uma contradição central: quer liderar o clima depois da COP30 e, ao mesmo tempo, ampliar a produção de petróleo e gás.

Mas aponta para o caminho certo. Diversificar parcerias, abrir mercados (o plano fala em 656 novos mercados para o agro), fechar o acordo do Mercosul com a União Europeia,—- fortalecer os BRICS e o Novo Banco de Desenvolvimento, defender o multilateralismo e a reforma da ONU, do FMI e do Banco Mundial, ter a América do Sul como prioridade e voltar a olhar para a África e para o Sul Global. Diante do tarifaço, o governo respondeu com o Plano Brasil Soberano, para proteger empresas, empregos e renda, e não de joelhos.

Num mundo em que as grandes potências voltaram a tratar regiões inteiras como zona de influência, um país do tamanho do Brasil tem duas opções: escolher um patrão ou ampliar a própria margem de manobra. A política externa ativa e altiva escolhe a segunda. Lula resumiu isso na Assembleia Geral da ONU, no mês passado, numa frase que foi interrompida por aplausos: o Brasil não cabe no quintal de ninguém.

Energia: a escada também é feita de petróleo, sol e terras raras

O nome Chutando a Escada vem da imagem que Ha-Joon Chang tirou de Friedrich List: os países que já se desenvolveram chutam a escada que usaram para subir, para que os outros não subam atrás. Essa escada é feita de ciência, tecnologia, indústria e Estado. E hoje, cada vez mais, é feita de energia: petróleo, biocombustível, transição energética e minerais críticos.

O Brasil tem uma posição rara no mundo. Quase 83% do petróleo e gás que a gente produz vem do pré-sal. Quase metade da nossa matriz energética e quase 87% da matriz elétrica são renováveis. E o Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do planeta, atrás só da China, justamente os minerais que vão nos ímãs das turbinas eólicas e nos motores dos carros elétricos. Poucos países têm tantas cartas na mão.

O que cada candidato quer fazer com essas cartas? Também aqui o OPEB fez a comparação: as propostas para energia expressam a diferença radical entre os candidatos.

Entre 2019 e 2022, a Eletrobras foi privatizada e a Petrobras vendeu 206 ativos, incluindo quatro refinarias, cerca de 20% da capacidade de refino do país, além da BR Distribuidora, da Liquigás e da Gaspetro. O resultado foi um país que exporta petróleo cru e importa diesel, com o preço na bomba amarrado ao humor do mercado internacional. Este ano, com a guerra envolvendo o Irã, a gente viu de novo o que isso significa.

O plano de Flávio Bolsonaro não menciona a Petrobras nenhuma vez. Propõe reforçar o programa de privatizações, acabar com o imposto de exportação sobre o petróleo, mudar o regime de partilha do pré-sal e explorar gás por fracking, sem considerar os impactos ambientais e territoriais. E, nas terras raras, a proposta é acelerar o licenciamento e oferecer os minerais aos Estados Unidos. É a velha receita de exportar matéria-prima e importar tecnologia, só que agora com as terras raras no lugar do café.

O plano de Lula coloca a Petrobras no centro da estratégia: ampliar o refino, chegar à autossuficiência em diesel até 2030, voltar à distribuição de combustíveis, produzir fertilizante, retomar a indústria naval, e levar os biocombustíveis a metade do consumo de energia nos transportes até 2033, com combustível sustentável de aviação e captura de carbono. Tem a contradição que eu já mencionei, entre a liderança climática e a expansão do petróleo, e a gente vai continuar cobrando isso. Mas é um projeto de desenvolvimento, de agregar valor aqui dentro, e não de vender a escada.

“Redemocratizar” o quê? A Constituição de 1988 na mira

Por fim, eu quero falar da coisa mais importante que está em jogo neste domingo, que é a própria Constituição de 1988.

—No dia 6 de outubro, dois dias depois do primeiro turno, Flávio Bolsonaro disse num ato em Goiânia que o Brasil lhe deu um Congresso muito mais à direita, com maioria no Senado e na Câmara, e que essa maioria vai servir, nas palavras dele, “para a gente mudar a Constituição, para a gente redemocratizar esse país”. No dia seguinte, depois da repercussão, tentou explicar: estaria falando de reforma do Judiciário, de pontos da reforma tributária e do fim da reeleição. Mas, no mesmo dia, avisou que, para desespero da esquerda, o grupo dele vai ficar “por décadas” no poder. E disse também que o novo Congresso está configurado para um presidente como ele.

Vamos parar um minuto nessa palavra: redemocratizar. A Constituição de 1988 completou 38 anos no dia 5 de outubro, um dia depois do primeiro turno, e no dia seguinte veio essa fala. Ela é a redemocratização. –É a Constituição Cidadã, que veio depois de 21 anos de ditadura. Foi ela que criou o SUS, que garantiu o voto aos analfabetos, que reduziu a jornada de trabalho de 48 para 44 horas, que reconheceu a liberdade sindical, a autonomia universitária, a liberdade de imprensa e os limites ao poder de quem governa. A Constituição tem problemas, é claro, e é um terreno permanente de disputa por mais direitos. Mas quem diz que precisa mudá-la para “redemocratizar” o país está dizendo que o problema é a democracia que ela criou.

Então eu pergunto: redemocratizar o quê? O padrão é conhecido. Como explicou ao Nexo a constitucionalista Juliana Cesario, da Uerj, a erosão democrática não precisa começar com um golpe clássico. Ela pode vir por reformas constitucionais, mudanças de lei e mudanças na composição das instituições, que vão reduzindo aos poucos os controles sobre quem exerce o poder. E o professor José Luiz Quadros de Magalhães, da UFMG, olhando para um Flávio com maioria no Congresso e vagas para preencher no Supremo, foi direto: “é o cenário perfeito para um autoritarismo”.

A carta das entidades científicas descreve esse método melhor do que eu: o autoritarismo nem sempre anuncia o fim da democracia. Pode chegar pelas urnas, prometer respeitar a Constituição e, uma vez no poder, esvaziar as instituições que deveriam limitá-lo. Não é preciso fechar o Congresso para enfraquecer a democracia: basta tornar as instituições incapazes de exercer suas responsabilidades.

Mudar a Constituição não é proibido. Ela já foi emendada 139 vezes. Mas uma PEC precisa de três quintos da Câmara e do Senado, em dois turnos. O PL elegeu 121 deputados e tem 28 senadores. Somando os partidos que apoiam Flávio no segundo turno, a DW conta 286 deputados, perto dos 308 necessários, e algo entre 43 e 50 senadores, perto dos 49. Ou seja, não é uma ameaça abstrata, é uma conta que eles estão fazendo. E o que estiver protegido como cláusula pétrea, como a separação dos Poderes, o voto periódico e os direitos individuais, só cai com uma nova Constituição ou com um Supremo que deixe de defendê-la. É por isso que o Supremo está na mira.

Constituição não é programa de governo. Ela não é um papel que o vencedor da eleição reescreve para governar sem limite.—la existe exatamente para limitar quem ganha. A Constituição de 1988 não precisa ser “redemocratizada” por quem promete ficar décadas no poder. Precisa ser cumprida, defendida e aprofundada.

O que está em jogo

Em 2018 a gente disse que existia um oceano de distância entre as duas candidaturas. Em 2026 a distância é ainda maior, porque agora não estamos falando de hipóteses. Os dois lados já governaram e há registro do que cada um fez.

De um lado está um projeto que conhecemos: universidade chamada de balbúrdia, ciência sem dinheiro, vacina desacreditada, Amazônia queimando com o termômetro quebrado, minorias tratadas como estorvo, imprensa tratada como inimiga e, no fim, uma tentativa de golpe.

Do outro está um governo que tem erros, e a gente aponta esses erros aqui sempre que precisa. Mas é um governo que reajustou as bolsas, recompôs o orçamento da ciência, voltou a falar com o mundo sem pedir licença, recusou entrar no quintal de quem quer que seja e defendeu o país quando ele foi atacado de fora.

Voto em Lula para defender a ciência e a universidade pública, gratuita e de qualidade, que precisa estar aberta a quem nunca teve acesso a ela. Para valorizar o professor. Para defender o SUS e a vacina. Para defender a Amazônia e o clima. Para defender as pessoas LGBTQIA+, as mulheres, a população negra, a liberdade religiosa, os povos indígenas e quilombolas, todas as minorias que esse projeto político trata como inimigas. Para defender os direitos humanos e a Constituição de 1988. E para defender a soberania de um país que não aceita ser punido por potência estrangeira a pedido de quem deveria defendê-lo.

E agora, o que a gente faz?

Faltam seis dias.

Volto à carta das entidades científicas, “Em defesa da democracia e do futuro do Brasil”, que diz que uma democracia começa a adoecer quando seus cidadãos aceitam para os outros a perda dos direitos que exigem para si. E a carta faz um convite que eu repito aqui: se você pensa diferente da gente, ouça mesmo assim, porque o que a gente defende também protege o seu direito de discordar.

Agora, se você concorda com a gente, eu tenho um pedido. Eleição se vira conversando, não no grito. Conversa com aquele tio, com aquela vizinha, com o colega de trabalho que votou em outro candidato no primeiro turno ou que nem foi votar. Não precisa convencer ninguém de tudo. Basta uma conversa honesta, um dado verificado, uma pergunta bem feita. Pergunta por que um candidato aceitou responder à comunidade científica e o outro ficou em silêncio. Pergunta quem pediu o tarifaço. Pergunta quem a pessoa quer na presidência na próxima pandemia. E no dia 25, vai votar e leva alguém junto.

A gente não sabe como essa eleição vai terminar. Em 2018 a gente perdeu, e no editorial seguinte a gente prometeu que não ia parar. Não paramos. Nesses oito anos o Chutando a Escada cresceu, ganhou parceiros, ganhou observatórios e ganhou vocês. Seja qual for o resultado no domingo, a gente continua aqui, defendendo a universidade, a ciência, a democracia e um Brasil soberano.

Mas ainda dá tempo, e a gente vai até o fim.

Vamos virar esse jogo.

Seguiremos juntos e juntas!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *